Importante dizer que coloquei Observações no final das respostas para complementar.
Leia a íntegra da entrevista que Ricardo Waizbort, biólogo da Fiocruz, concedeu à CH On-line
A que podemos atribuir a baixa aceitação da teoria evolutiva no Brasil?
Ricardo Waizbort – É preciso entender que, quando falamos em evolução, estamos tratando de um assunto bastante abrangente. Uma pessoa que não tem um ensino formal bem estabelecido vai responder a essa questão de forma superficial, pois não compreende o que é a teoria de Darwin. Mesmo entre os biólogos ela ainda é discutida; na educação fundamental e de nível médio, é pior ainda. É um problema educacional mais complicado, que não abrange apenas essa teoria, mas a ciência como um todo. As pessoas não são capazes de pesar argumentos e evidências a favor ou contra determinado conhecimento e por isso não são capazes de verificar sua validade. Vivemos uma batalha muito mais retórica, de convencimento e persuasão, do que uma batalha racional, em que são expostos argumentos e evidências para debate. No Brasil, vemos uma situação de analfabetismo científico muito preocupante, porque existem problemas na formação e atualização dos professores.
Obs: A ciência é igual a uma espiral, quando falamos em assuntos como religião ou ciencia muitas pessoas creem que ambos são semelhantes, entretanto são totalmentes diferentes. Esse analfabetismo cientifico citado no final da resposta também acontece por falta de interesse da pessoa.
O que pode estar errado com o ensino para que as pessoas não compreendam as teorias científicas?
“Em biologia nada faz sentido senão à luz da Evolução”, escreveu o biólogo Theodosius Dobzhansky em 1973. No entanto, se você analisar os livros de biologia atuais, a evolução está perdida em muitas outras informações. O estudo dos vegetais, dos animais, dos sistemas, de citologia, genética... Não acho que a solução seja tornar a teoria de Darwin o conteúdo mais importante, mas acredito que, enquanto tivermos essa fragmentação do conhecimento, será complicado fazer os alunos entenderem a biologia de forma completa. Seria um passo interessante diminuir um pouco o conteúdo que o aluno recebe e racionalizar esse conhecimento.
Obs: Os livros sobre assuntos científicos são caros e a maior parte deles e incopreensivel para o leigos, muitos deles também não são pedagógicos pela própria complexidade do tema abordado.
Grande parte das pessoas que participaram da pesquisa (54%) afirmou acreditar numa espécie de evolução dirigida por Deus. Isso seria uma mistura de criacionismo e evolucionismo?
Existem duas posturas diferentes: uma na qual Deus fez o mundo e depois deixou a “máquina” funcionar sozinha; a outra é que Deus está o tempo inteiro interferindo e ajustando detalhes, colocando ordem na “máquina”. Darwin se aproximava da primeira posição. Talvez tenha havido um criador que fez o mundo, mas agora o mundo funciona com leis próprias e o objetivo da ciência é descobrir essas leis. A questão é que o empreendimento científico é um tipo de abordagem sobre o mundo que tenta descobrir regularidades na natureza e tenta explicá-las de forma racional, sem recorrer a argumentos sobrenaturais. Qualquer tentativa de se aproximar da ciência e evocar o sobrenatural está justamente indo de encontro ao seu objetivo.
Obs: Darwin quando propôs sua teoria nunca quis ir contra a religião, mas por azar dele acabou derrubando o mito criacionista.
Os pesquisadores norte-americanos argumentaram que a política naquele país influencia muito as opiniões da população sobre o evolucionismo. Segundo o artigo, o criacionismo está na plataforma política dos partidos. Isso também acontece no Brasil?
Existem alguns estados em que os governos implementaram o ensino religioso nas escolas. Recentemente houve uma polêmica em torno da lei instituindo essa disciplina nas escolas públicas do Rio de Janeiro. A governadora Rosinha Garotinho disse que não acreditava em evolução e conseguiu implantar uma lei estadual que permitia o ensino religioso. O problema é que existem quatro religiões prioritárias e muitas outras minoritárias e é inconstitucional ensinar uma e não as outras. O ensino de religiões é permitido pela Constituição brasileira apenas se não onerar o estado e se for uma disciplina facultativa, porque ninguém é obrigado a aprender os princípios de uma religião que não e a sua.
Obs: Realmente a Rosinha tem uma linha evangelica muito arraizada, já que Antonio e pastor, para ela isso é importante, mas para nos o mais importante e ter o lado cetico arraizado, porque não aula de ceticismo?
A abordagem do criacionismo e do evolucionismo pode confundir o que as pessoas entendem que seja científico ou não?
Acreditar na evolução supõe que uma teoria desse nível seja objeto de crença, o que não é verdade. As premissas religiosas são objetos de crença, mas teorias científicas não. Chamar a evolução e o criacionismo de teorias é equiparar duas coisas que não estão relacionadas. É uma disputa meramente verbal, porque o criacionismo é apenas a crença religiosa, que nem representa todas as religiões. O problema é que para o senso comum fica confuso estabelecer o que é científico e o que não é. É impossível dizer que o evolucionismo está provado porque, do ponto de vista filosófico e científico, não existe teoria provada. No entanto, todas as evidências nos levam a crer que ela é verdadeira.
Obs: Os criacionistas fazem escarceu quando uma prova quebra a linha de pensamento deles, porém insitem no erro, é como já foi dito na resposta nada foi provado da existência de deus.
Entrevista concedida a
Franciane Lovati
Ciência Hoje On-line
30/08/2006
http://cienciahoje.uol.com.br/56237
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