quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Evolução é observada em laboratório

SÃO PAULO – Durante 21 anos de pesquisa, e 40 mil gerações de bactéria, pesquisadores testaram em laboratório a teoria de Charles Darwin.

Nas placas de petri da Universidade Estadual do Michigan, nos Estados Unidos, a teoria da seleção natural foi analisada em detalhes em um número inédito de ciclos.

Liderada pelo professor Richard Lenski, a equipe da universidade observou 40 mil gerações das unicelulares Escherichia coli, bactérias de rápida reprodução que começaram a ser criadas para o experimento em 1988.

Baseados na “A Origem das Espécies”, obra de Darwin sobre evolução publicada há exatos 150 anos, os pesquisadores teorizaram que se uma mutação genética oferecesse alguma vantagem à bactéria na competição por comida, por exemplo, ela deveria passar a ser dominante entre a toda a cultura.

Periodicamente, ao longo de 21 anos, a equipe congelou bactérias para estudos posteriores. Hoje, a tecnologia já permite o seqüenciamento genético completo desses organismos.

As análises revelaram que, no meio do experimento, na geração 20 mil, havia 45 mutações entre as células sobreviventes – e essas mutações, de fato, ofereciam algumas vantagens. Uma mutação ligada ao metabolismo do próprio DNA apareceu na geração 26 mil, fazendo com que a taxa de mutação em todos os outros lugares aumentasse dramaticamente, chegando a 653 na geração 40 mil.

A relação entre as taxas de evolução genômica e de adaptação do organismo ainda são incertas, mas experimentos em populações que estão evoluindo são uma oportunidade de investigar com precisão como uma influencia a outra.

É importante ressaltar que o conceito de evolução caracteriza a mudança em andamento nas espécies – e não necessariamente uma melhora. A teoria da seleção natural explica que, no processo evolutivo, aqueles indivíduos que apresentarem mutações que se mostram benéficas naquele determinado momento devem sobreviver e espalhar essa característica, enquanto as mutações que causem algum prejuízo tendem a ser extintas - pois seus portadores têm desvantagens em relação ao grupo. No processo evolutivo, surgem mutações boas, ruins ou neutras.

No experimento, as substituições que se mostraram benéficas às bactérias foram surpreendentemente uniformes ao longo do tempo, enquanto as neutras se mostraram bastante variáveis.

Estudar os mecanismos da evolução e das mutações não ajuda somente a biologia, mas pode trazer benefícios a diversas áreas da medicina.

No entanto, como as bactérias, as conclusões dos pesquisadores continuam evoluindo e, assim que algumas respostas são encontradas, surgem muitos outros problemas para serem compreendidos.

O estudo foi publicado na Nature.

http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/evolucao-e-observada-em-laboratorio-19102009-26.shl

2 comentários:

Rogério - Monge da Dungeon disse...

Na verdade acredito ser até mesmo mais lógico fazer os experimentos sobre a evolução usando bactérias. Elas se reproduzem bem rápido ficando assim mais fácil de verificar a longo praso as inúmeras veriações genéticas possíveis.

Paz

Dr. HORRORmentes disse...

Com certeza, e além disso não tem pessoas fazendo escândalos por fazer experimentos com seres vivos.

Abraços.